A Rosa Azul - Capitulo 1

  "A ideia de escrever uma história de fantasia é algo que me acompanha desde sempre, sendo esse gênero um dos meus favoritos. Apesar disso, essa é uma história sem pretensões megalomaníacas como enormes sagas ou infinitos spin-offs. Usando como base e inspiração desde clássicos da literatura fantástica quanto mais recentes light novels, o propósito final desse projeto é contar uma história divertida e instigante, tendo como principal pilar minhas experiências como mestre de RPG de mesa. Espero que vocês apreciem e acompanhem essa aventura. "

— Acerola

1. Três Cravos

  Os druidas versados em conhecimentos antigos comumente dizem que em toda floresta, grande ou pequena, nascem dois cravos roxos. Encontrar um atrai a boa sorte dos espíritos; encontrar o segundo garante desventuras típicas dos demônios. 

 Ren Liddell era um jovem de 19 anos esguio e de cabelos castanhos mal cortados, ele havia encontrado seu primeiro cravo; uma bolsa de moedas recheada com peças de platina, que por toda Furidamu valiam 10 peças de ouro cada, mas, especialmente em Scorpio, te rendiam também muita atenção, desejada ou não. 

 O segundo cravo Ren encontrou depois de gastar metade das peças em boa comida, roupas novas e presentes para belíssimas moças; o cravo veio na forma de um grande homem cuja mão esquerda era um gancho de metal e que dizia “o chefe” muitas vezes. 

 Diferente dos verdadeiros cravos roxos, que crescem solitários, o homem da mão de gancho tinha muitos companheiros e todos eles pareciam especialmente empenhados em perseguir o não-mais-tão-pobre Ren, que agora corria pela feira esbarrando em mulheres que gemiam de dor, homens que o ameaçavam e velhos que o amaldiçoavam. 

 A perseguição atravessou toda a feira, derrubando algumas barracas e pessoas no caminho. 

 Quando saiu da feira, Ren virou uma pequena viela; os homens atrás dele. 

 No céu o sol queimava com intensidade, mesmo fugindo pelas sombras o calor era mais insuportável que o normal e o cheiro do mar ainda mais intenso, isso deu uma ideia para o jovem. 

 Incentivado pela percepção da própria genialidade apertou o passo, não se importando em equilibrar o gasto de energia numa corrida que não se sabia a linha de chegada; regra que ele conhecia bem, mas, que fez questão de abrir uma exceção. 

 Virou mais algumas ruas e se enfiou em vielas cada vez mais apertadas, conhecia a cidade como conhecia as constelações do céu, isto é, fazia alguma ideia. 

 Quando chegou ao porto havia ganhado uma boa distância dos perseguidores corpulentos, mesmo assim, não tinha muito tempo para pensar profundamente no que fazer, precisava colocar o plano em prática. 

 Mesmo sem uma quantidade de tempo considerada adequada, quando somos tomados por adrenalina tudo parece mais lento, e, nossa mente, mais rápida. No caso de Ren, rápida o suficiente para apenas quatro considerações. 

 - O primeiro barco seria óbvio. 

 - O último barco seria tão óbvio quanto o primeiro. 

 - Um barco luxuoso estaria bem protegido. 

 - Um barco velho estaria ainda mais bem protegido, pois pescadores pobres não poderiam arriscar perdê-los. 

 Precisava de um barco comum, que não chamasse a atenção de forma alguma, e, que pudesse invadir com facilidade. Não se pode dizer que Ren “escolheu o que mais se adequava”, seria mais certo falar que ele “adentrou o primeiro que não saltava aos olhos por nenhum dos motivos a ser evitado”, então desceu as escadas e se escondeu numa das cabines. 

 — Ufa... — Suspirou aliviado, como se expelisse todo o cansaço ao soprar o ar. Por dentro ainda se sentia inquieto, se o encontrassem ali não teria escapatória, porém, se só restava esperar e rezar aos deuses, ao menos poderia descansar, então Ren se jogou sobre a cama desarrumada. 

 — Uaah! — Ele ouviu um grito e sentiu algo se debater sob os cobertores. 

 Levantando-se rapidamente, Ren sacou sua pequena adaga de ferro e se posicionou na frente da porta. Matar alguém seria uma coisa muito diferente de encontrar e gastar dinheiro perdido, contudo, naquele momento, isso poderia significar a diferença entre esquecer essa história bebendo um copo de hidromel na taverna mais distante possível e ter seu abdômen aberto pelo terrível gancho. 

 — Faz silêncio, droga! — Ren rosnou e apontou a adaga na direção da pessoa completamente enrolada em cobertores. 

 — Guardas!!! — A voz soou abafada e as cobertas caíram, revelando a aparência delicada de uma bela garota desesperada, prestes a chorar. 

Era o terceiro cravo, aquele que nem o mais sábio ancião poderia prever o significado. 

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